Trabalho · Reuniões e colegas
Como entrar numa conversa em grupo que já começou
Procure um grupo com uma brecha, onde duas pessoas estão levemente viradas para fora, e pare nessa brecha, onde quem está falando pode ver você. Ouça uma ou duas falas e depois reaja ao que acabou de ser dito: nada de assunto novo, nada de apresentação. Deixe o grupo incluir você e acrescente uma frase sua quando alguém olhar para você. Se a roda estiver fechada, siga andando.
Em quais grupos dá para entrar
A festa de fim de ano da empresa, o salão de um hotel, um prato na mão, e o pessoal do seu andar ainda não chegou. Do bufê não dá para ler rostos, então leia corpos.
- Aberto: três pessoas perto das janelas, com uma brecha entre duas delas, e essas duas levemente viradas para fora, para o salão. Quando alguém passa, os olhos delas se levantam. Essa brecha é o seu lugar.
- Fechado: duas pessoas frente a frente, ombros para dentro, cabeças próximas, vozes baixas, ninguém levantando os olhos. Essa conversa é delas. Siga em frente.
O tamanho também ajuda. Dados de vários contextos sugerem que cerca de quatro pessoas é o limite para uma única conversa espontânea (Dunbar, Duncan e Nettle, 1995). Então um trio é a roda em que é mais fácil entrar; uma turma de oito no bar já são duas conversas.
Se você chegar perto de uma roda fechada por engano, vai perceber em segundos: os ombros continuam para dentro, ninguém olha para você, as vozes baixam. Siga andando para a mesa de sobremesas como se já estivesse indo para lá: nada de “Desculpa interromper”, nada de piada. Uma roda fechada não é um veredito sobre você. Eles podem estar falando de uma demissão ou de um filho doente.
Pare na beirada e ouça primeiro
Sexta à tarde, um bolo de aniversário de alguém na copa do escritório. Quatro pessoas com pratinhos de papel estão no meio de uma conversa, e você veio pelo bolo. Os dois erros comuns são opostos: chegar já falando ou ficar rondando atrás de alguém.
Em vez disso, pare na beirada da roda, na brecha, onde quem está falando pode ver você: ninguém consegue abrir espaço para quem não vê. Depois ouça uma ou duas falas, prestando atenção numa coisa só: o assunto. Aqui, é o estacionamento novo e se o subsolo alaga.
Um instante basta. Dez minutos balançando a cabeça na beirada não é ouvir; é esperar uma frase perfeita que nunca chega.
O que dizer primeiro ao entrar numa conversa em grupo
A sua primeira frase segue o assunto deles: reaja ao que acabou de ser dito. Concorde, acrescente um fato pequeno ou tome um lado. Nada de assunto novo, nada de nome e cargo, nada da história que você trouxe pronta.
Na copa, Lena, da folha de pagamento, diz que o subsolo estava com cinco centímetros de água na segunda. Você: “Cinco centímetros? Então é por isso que os tapetes do meu carro estavam molhados.” A entrada é só isso: você é mais uma pessoa falando do estacionamento.
O que não funciona é chamar atenção para si. Quando pesquisadores observaram crianças tentando entrar na brincadeira de duas outras que já brincavam, as que falavam de si mesmas, diziam os próprios sentimentos e opiniões ou faziam perguntas para obter informação eram mais vezes ignoradas ou rejeitadas do que aceitas (Putallaz e Gottman, 1981). Eram crianças, mas “Oi, comecei agora na logística” e “Do que vocês estão falando?” são as versões adultas: cada uma pede que o grupo largue a conversa para dar atenção a você.
Depois deixe o grupo fazer a parte dele. Num estudo de interações do dia a dia, os recém-chegados mostravam com o corpo que queriam entrar, e quem já estava conversando os incluía resumindo o assunto. Um resumo oferecido pelo grupo era tratado como um jeito melhor de entrar do que o recém-chegado pedir um (Pillet-Shore, 2010). Então, depois da sua frase, espere um segundo: muitas vezes alguém dá meio passo para o lado e diz: “A gente está apostando se eles consertam antes da temporada de chuvas.” É a roda se abrindo. Entre.
Quando alguém tiver olhado para você ou respondido, acrescente uma frase sua, ainda no assunto deles: “Comecei a parar na rua. Andar dois quarteirões é melhor do que ficar de meia molhada.” Uma frase, e devolva a palavra.
Uma situação para praticar
O intervalo da tarde num congresso de dois dias para paisagistas. Quatro pessoas no parapeito da varanda discutem uma mistura de grama resistente à seca, com uma brecha do seu lado. Você para nela e ouve: uma pessoa diz que a mistura com trevo ficou verde o agosto inteiro onde ela trabalha, e outra duvida. O que você diz?
Um jeito de lidar com isso
“Bate com o que eu vi. Os nossos gramados com trevo ficaram verdes durante todo o racionamento de água.”
Por que funciona
- A frase fala da mistura de grama de que eles já estão falando, então você entra na conversa deles em vez de começar a sua.
- Um fato do seu próprio trabalho está no assunto e diz quem você é sem discurso de apresentação.
- Ela toma um lado de leve, então quem duvidava tem algo para rebater, e a próxima fala já inclui você.
No app, a aula “Entre na roda” termina com uma situação como esta: você digita ou fala a sua própria frase, e a IA diz o que funcionou e o que mudar.
Um grupo com um amigo seu, e um grupo de desconhecidos
Na festa de Super Bowl de um vizinho, o seu amigo Cal está perto da TV com três colegas de trabalho do anfitrião, discutindo o show do intervalo. A tentação é dizer “Posso roubar ele um minutinho?” Parece simpático, mas tira Cal da roda em vez de pôr você nela, e três pessoas veem a conversa delas ir embora.
Em vez disso, vá até a brecha ao lado de Cal e reaja à discussão: “Se trouxerem de volta uma banda marcial, este ano eu assisto ao intervalo de verdade.” Normalmente Cal faz o resto: diz o seu nome e conta que você tocava trombone na faculdade. Um amigo na roda é uma porta, não um lugar para se esconder.
Atravesse essa porta. Num evento de networking com cerca de cem pessoas de negócios, acompanhadas por crachás eletrônicos, os convidados tinham muito mais chance de esbarrar nos amigos que já tinham, embora quase todos tivessem dito antes que o objetivo era conhecer gente nova (Ingram e Morris, 2007).
Com desconhecidos funciona do mesmo jeito, só que sem o amigo para apresentar você. Sábado de manhã, o jogo de futebol da sua filha: quatro pais estão numa fila solta na beira do campo, com uma ponta aberta, reclamando do juiz, que parece ter uns catorze anos. Vá até a ponta aberta, assista a um lance com eles e reaja ao que eles estão reagindo: “Ele acabou de marcar impedimento numa criança que estava amarrando a chuteira.” Na beira do campo, o jogo entrega um assunto novo a cada trinta segundos.
Quando o grupo se vira para você
Alguns lances depois, você ficou quieto, e uma das mães, Megan, se vira para você: “A sua é a da chuteira azul, né? Primeira temporada?” É o grupo trazendo para a roda quem está calado, e ela acabou de fazer a parte difícil por você.
Aproveite. Responda na hora, em uma ou duas frases, e deixe algo para eles pegarem: “Segunda. Na temporada passada, ela passou quase o tempo todo colhendo dente-de-leão na frente do gol.” Não encolha a resposta para um “É” e volte a assistir, e não faça um discurso: duas frases, e a vez passa adiante. Se alguém vir você se inclinar e perguntar “Você ia dizer alguma coisa?”, diga. “Ah, esquece” transforma a gentileza da pessoa num momento constrangedor.
Como sair de um grupo com simpatia
Um grupo é a conversa mais fácil de deixar: ela continua sem você. Espere alguém terminar a frase e diga uma frase para todos, com o seu motivo de verdade: “Vou pegar comida antes que as asinhas acabem. Foi bom conversar com vocês.” Um olhar pela roda, e vá. Nada de ligação inventada, nada de sair de fininho enquanto alguém está no meio de uma história.
A mesma saída funciona quando uma roda nunca se abre: se você falou duas vezes e nas duas eles viraram os ombros e continuaram, isso é informação. Saia com a mesma simpatia e tente a próxima roda.
Experimente hoje
Dois exercícios, onde houver três ou mais pessoas conversando.
- Entre numa conversa que já está rolando, na copa do escritório, num jantar ou na beira do campo: pare na brecha onde vejam você, ouça uma fala inteira e reaja ao que acabou de ser dito, sem falar nada de você.
- Da próxima vez que alguém num grupo olhar para você ou perguntar alguma coisa, responda em uma ou duas frases e acrescente um gancho pequeno que as pessoas possam pegar. Depois repare em quem pega.
Pratique isso no app
Confiança em grupo
Duas aulas exatamente sobre isso, “Entre na roda” e “Uma roda nova”: a brecha, o instante na beirada e a primeira frase sobre o assunto deles, e a roda de desconhecidos em que você entra e fica. Cada uma termina com uma situação para você responder com suas próprias palavras e uma frase para usar no mesmo dia. Primeiro, o questionário monta sua trilha; seu primeiro curso é grátis, com feedback da IA incluído.
Na primeira assinatura, os 7 primeiros dias do plano anual são grátis. A assinatura é renovada automaticamente até você cancelar nas configurações da loja.
Perguntas frequentes
Como se enturmar numa festa?
Por que me saio bem numa conversa a dois, mas travo em grupo?
Como deixar de ser sem jeito em conversas em grupo?
Fontes consultadas
- Dunbar, R. I. M., Duncan, N. D. C., & Nettle, D. (1995). Size and structure of freely forming conversational groups. Human Nature. doi:10.1007/BF02734136
- Putallaz, M., & Gottman, J. M. (1981). An interactional model of children's entry into peer groups. Child Development. doi:10.2307/1129103
- Pillet-Shore, D. (2010). Making way and making sense: including newcomers in interaction. Social Psychology Quarterly. doi:10.1177/0190272510369668
- Ingram, P., & Morris, M. W. (2007). Do people mix at mixers? Structure, homophily, and the "life of the party". Administrative Science Quarterly. doi:10.2189/asqu.52.4.558