Autoconfiança · Timidez e nervosismo
Como perder a timidez na vida adulta
A timidez não é quem você é. São alguns passos que você pula: a primeira frase que você não diz, o segundo passo que você não dá, o lugar de onde você sai cedo. Adulto não tem escola nem moradia estudantil forçando o contato, então escolha um lugar aonde os mesmos rostos voltam toda semana: uma aula, um clube, um balcão, um horário na academia. Dê um pequeno passo por visita e compare o que acontece com o que você temia.
Por que eu sou tão tímido na vida adulta?
Terça à noite, quarta semana de um curso de solda numa escola técnica. Você se instala na cabine ao lado da de Curtis, e o “Que frio aqui hoje, hein” está na ponta da língua; você não diz nada. Na metade da aula, ele levanta a máscara: “Esse eletrodo não para de grudar.” “É, o meu também”, você diz, e abaixa a máscara de novo. No intervalo, a turma vai se juntando perto das máquinas de lanche, e você vai se sentar na sua caminhonete. Às nove, você é o primeiro a sair pela porta.
Esse é o padrão inteiro: a primeira frase que você não diz, o segundo passo que você não dá, o lugar de onde você sai cedo. Nenhum deles é um veredito sobre quem você é. Cada um leva uma frase ou dois minutos, e cada um pode sair diferente na próxima terça. Eles grudam porque parecem seguros: nada deu errado, então o silêncio parece ter funcionado.
A escola escondeu isso por anos. O horário punha você ao lado das mesmas pessoas por centenas de horas, e a conversa acontecia com ou sem coragem de alguém. A vida adulta não tem turma fixa. Agora ninguém entrega essas horas a você; você tem que ir aonde elas se acumulam.
Vá aonde os mesmos rostos voltam
Uma festa cheia de desconhecidos é o lugar mais difícil para uma pessoa tímida: todo rosto é novo. Escolha o contrário, um lugar no mesmo horário toda semana, de preferência onde as suas mãos tenham o que fazer, para que um minuto de silêncio não pese:
- uma aula semanal: solda, espanhol, primeiros socorros
- um clube ou uma liga: xadrez, um grupo de corrida, boliche
- o mesmo balcão de café no mesmo horário
- o mesmo horário na academia
Depois, dê um pequeno passo por visita, não uma mudança de personalidade: numa semana, a frase óbvia; na seguinte, uma pergunta de volta; depois, dois minutos a mais no fim. A partir da segunda visita, você também pode trazer de volta alguma coisa da vez anterior. Quinta semana, de novo ao lado de Curtis: “E aí, aquele eletrodo parou de grudar?” Ele ri, mostra o truque dele e, no intervalo, vocês já trocaram nomes.
Cada visita deixa a próxima mais fácil, para os dois. Quando duplas de desconhecidos conversaram por tempos diferentes, quanto mais tinham conversado, mais gostavam um do outro, em parte porque a conversa ficava mais confortável e eles sentiam que se conheciam melhor (Reis et al., 2011). O conforto que você está esperando vem, quase todo, das visitas.
Compare a sua previsão com o que acontece
Antes de cada passo, uma previsão passa pela sua cabeça: “Ele vai me olhar como se eu fosse esquisito.” Pessoas tímidas costumam obedecer a ela. Em vez disso, confira, como quem confere a previsão do tempo olhando para o céu. Diga para si mesmo exatamente o que a pessoa vai fazer, o rosto e as palavras dela: “Ele vai suspirar e me responder com uma palavra.” (“Vai ser constrangedor” não dá para conferir; um suspiro dá.) Dê o passo. Depois compare o que a pessoa fez de fato com o que você disse.
A previsão costuma sair pessimista. Passageiros de trem e de ônibus a caminho do trabalho que foram orientados a conversar com um desconhecido relataram uma viagem mais agradável do que os orientados a ficar na sua, enquanto outros passageiros previram o contrário, em parte porque subestimaram o quanto o desconhecido ia querer conversar (Epley e Schroeder, 2014). É uma média, não uma promessa, então escolha pessoas que pareçam disponíveis: fones no ouvido ou olhos numa tela querem dizer “agora não”.
Uma situação para praticar
A sua terceira semana no horário das 6h da academia. O leg press finalmente está livre, mas o banco está regulado para alguém uns trinta centímetros mais alto, e você não acha a alavanca. Na máquina ao lado, Hector, o frequentador que a recepção cumprimenta pelo nome toda manhã, está descansando entre as séries, sem fones. Na sua cabeça: “Ele vai suspirar. Veterano odeia pergunta.” O que você diz?
Um jeito de lidar com isso
“Desculpa, você sabe onde fica a alavanca do banco nessa aqui?”
Por que funciona
- Primeiro você disse a previsão para si mesmo, de um jeito que dá para conferir: um suspiro e uma palavra. Qualquer coisa que ele fizer agora é um resultado, não um veredito sobre você.
- É pequeno e comum: uma pergunta sobre a máquina na sua frente, do tipo que os veteranos respondem toda semana.
- Ele está descansando, sem fones, então a resposta dele é um teste justo. E, na semana que vem, ele já é alguém com quem você conversou.
No app, a aula “Confira a previsão” termina com uma situação como esta: você digita ou fala a sua própria frase, e a IA diz o que funcionou e o que mudar.
Diga o óbvio, ou diga que é novo
Pessoas tímidas muitas vezes ficam quietas esperando uma frase boa o bastante para dizer. Xadrez de quinta na biblioteca: entre uma partida e outra, dois frequentadores discutem se os relógios deveriam ser digitais. Duas frases perfeitamente boas vêm e vão enquanto você lapida uma espirituosa: “Eu só joguei com os de corda”, “Com qual é mais fácil aprender?” Quando a sua fica pronta, eles já estão arrumando a próxima partida.
Diga a óbvia. Ninguém está dando nota; o que as pessoas ouvem é que você quer participar.
Quando você é novo, a frase mais óbvia é a verdadeira. Diga uma vez, sem rodeios, com um pequeno pedido. Primeiro sábado no grupo de corrida: “Sou novo aqui. Qual desses grupos corre num ritmo de seis minutos por quilômetro?”
Pode parecer admitir uma fraqueza; de fora, parece desenvoltura. Em sete estudos, as pessoas julgaram com mais dureza os próprios momentos de mostrar vulnerabilidade, como pedir ajuda, do que os mesmos momentos em outra pessoa (Bruk, Scholl e Bless, 2018). Que seja um fato, não um lamento: “Sou novo e péssimo nisso” pede que a pessoa discorde de você.
Fique dois minutos a mais do que é confortável
O terceiro passo pulado é a saída antecipada: o primeiro a sair, a mochila já arrumada, o café para viagem. Mas nos lugares aonde você volta, boa parte da conversa acontece nas beiradas: depois da aula, no estacionamento, no alongamento depois da corrida.
O grupo de corrida de sábado termina em frente à loja de bicicletas, todo mundo se alongando, alguém passando gomos de laranja. A sua mão já está na chave do carro. Fique mais dois minutos e use-os para uma pergunta sobre algo que alguém acabou de dizer: “Você disse que a subida da Miller Road é novidade este ano. Ela também está no percurso da semana que vem?” Decida se vai embora depois da resposta, não antes.
Quando for, vá com carinho, não de fininho: “Estou indo. Até sábado.” Isso diz a eles que você vai voltar.
Deixe as pessoas verem você
Parte da timidez se esconde à vista de todos: respostas curtas, o celular na mão, só perguntas para não haver nada seu para julgar. Cada uma parece proteção, e cada uma pode soar como “me deixa em paz”.
Faz um mês que Bev serve o seu café no balcão da lanchonete às 6h45, todo dia útil. Hoje ela pergunta: “Você trabalha aqui perto?” A resposta segura é “Trabalho”. A resposta que mostra você para ela: “Trabalho, na fábrica de pneus da Route 4. Esses vinte minutos são a única parte tranquila do meu dia.” Um detalhe, não a história da sua vida, e agora ela tem algo para perguntar amanhã. Largue os hábitos de se esconder um por vez, e dispense a pose de confiante: é só mais um esconderijo.
O que mantém as pessoas escondidas é a sensação de que cada rubor e cada atrapalhada estão à mostra. Na maioria das vezes, não estão. Pessoas que tiveram de vestir uma camiseta com uma imagem constrangedora ou lisonjeira superestimaram quantos observadores lembrariam o que havia nela, e pessoas numa discussão em grupo superestimaram o quanto os próprios comentários, bons e ruins, se destacaram para os outros (Gilovich, Medvec e Savitsky, 2000). O rosto vermelho no balcão é, quase todo, só seu. Bev vê um freguês de sempre que finalmente disse alguma coisa.
Experimente hoje
Dois exercícios, em lugares aonde você vai voltar.
- Num lugar aonde você já vai toda semana, escolha uma pessoa que você já viu, mas com quem nunca conversou. Diga a sua previsão para si mesmo, o rosto e as palavras dela. Depois diga a frase óbvia sobre o que vocês dois estão fazendo e, em seguida, compare.
- No fim da próxima coisa que você fizer com outras pessoas, uma aula, um treino, um turno, fique dois minutos a mais do que gostaria. Use-os para uma pergunta sobre algo que alguém disse e depois saia com um “Até semana que vem”.
Pratique isso no app
Autoconfiança
Duas aulas exatamente sobre isso, “Confira a previsão” e “Largue um hábito de segurança”: o palpite pessimista que você testa em vez de obedecer e a resposta curta que você troca por um detalhe sobre você. Cada uma termina com uma situação para você responder com suas próprias palavras e uma frase para usar no mesmo dia. Primeiro, o questionário monta sua trilha; seu primeiro curso é grátis, com feedback da IA incluído.
Na primeira assinatura, os 7 primeiros dias do plano anual são grátis. A assinatura é renovada automaticamente até você cancelar nas configurações da loja.
Perguntas frequentes
Sou tímido ou só introvertido?
Dá para perder a timidez sem terapia?
Quanto tempo leva para perder a timidez?
Fontes consultadas
- Reis, H. T., Maniaci, M. R., Caprariello, P. A., Eastwick, P. W., & Finkel, E. J. (2011). Familiarity does indeed promote attraction in live interaction. Journal of Personality and Social Psychology. doi:10.1037/a0022885
- Epley, N., & Schroeder, J. (2014). Mistakenly seeking solitude. Journal of Experimental Psychology: General. doi:10.1037/a0037323
- Bruk, A., Scholl, S. G., & Bless, H. (2018). Beautiful mess effect: self-other differences in evaluation of showing vulnerability. Journal of Personality and Social Psychology. doi:10.1037/pspa0000120
- Gilovich, T., Medvec, V. H., & Savitsky, K. (2000). The spotlight effect in social judgment: an egocentric bias in estimates of the salience of one's own actions and appearance. Journal of Personality and Social Psychology. doi:10.1037/0022-3514.78.2.211